Do Comportamento

Por: Rafael Nunes
20/11/2009
Coluna nº 7 do site Papo Sério

- Qual outra forma de conhecer?

- Não há nada que tolha mais um ser humano do que a humilhação; não há nada mais prazeroso do que humilhar.

- Sídrome do sapo fervido.

Tenho raiva. Mas não falei sem pensar. Há maldade. Por que não?

Onde quer que eu esteja sentirei o gosto, saberei a hora e serei aberto. Se poucos sabem o que há por perto, é no íntimo que está o corte: hoje a vida que se mostra morte é apenas vento entre olhos e gestos. É apenas verbo.

(...)

Ainda não acredito. Todas as lembranças, todas as semanas, todos os segundos. Ela está aqui ao meu lado, em silêncio, depois de tanto dizer que ainda tem jeito. Um coração angustiado comporta-se como o dentro sem fora, ou como um vazamento.
Não me ocorrera dizer antes. Eu não sabia que havia o antes. Ela continua me olhando, procurando um modo de chamar a luz com um assovio, um modo de encher meu poço vazio de carinho. Estou impaciente, e agora? Por que não paro de pensar a toda hora? Meu cérebro está estéril; ele repete, não percebe nem se atreve, acha o risco grande demais.
Basta. Saudade é bom porque passa. Nunca mais vou me vestir. Serei eu mesmo, o peito aberto, aos berros, gritando apenas para você ouvir. O importante do insignificante, o amor eterno, a flor, o beijo, o desejo e o aqui.
Não julgue o meu comportamento. É difícil sentir e ainda saber de mim. Eu não sei de mim. Você sabe de mim? Estou perdendo minha tarde, o que você faz às três da tarde? Perdendo, você não sabe. Nenhuma mulher deveria ser tão bonita assim. Nenhuma mulher deveria gostar de mim: não sou vítima, sou apenas fraco, um frasco vazio de perfume caro. Embaralhado.
Me devolve minha alegria, me devolve minha vida, que eu preciso delas para sair de casa. Estou aqui parado, já não sou mais nada. Você pode me ajudar? Isso é uma carta, sem data, para ser lida quando for preciso. Agora não é preciso.

(...)
          (...)
                    (...)

Ela ainda está aqui comigo. Já se tornou mais que um refúgio, um abrigo. Impregnado em mim está o seu sorriso, o seu feitiço, uma vontade doida de ser seu amigo. A felicidade, na verdade, é se saber querido. Eu sou querido. Eu sou querido, eu sou querido! Estou bem, ainda que perdido, rimando à toa, como varrido.

(...)

Te amo tanto que só consigo dizer te amo. Descobri, aos 26 anos, a primeira mulher com quem gostaria de me casar, e não consigo dormir. Por culpa minha, por culpa sua.

(...)

É engraçado como tenho vergonha de demonstrar sentimentos mesmo tendo a certeza de que fará bem ao outro. Tenho a impressão de que a alegria demonstrada nada mais é do que um favor que me é feito, como num ato de compaixão, e tenho medo; jamais quero me sentir dependente, pois, para o mundo, ser dependente é ser inferior. E a inferioridade é a morte.

Ao mesmo tempo tenho uma necessidade intrínseca de expressar tais sentimentos, e então é a angústia. Muitas vezes, irracionalmente, comporto-me de maneira fria por não lidar com tal angústia, e perco a chance de fazer o bem; não só à pessoa querida, mas também a mim mesmo. Se, apesar do egoísmo, o ser humano fosse racional, seria capaz de proporcionar o contentamento alheio, ainda que na busca do próprio.

(...)

"Não se pode fazer nada sem a solidão". Quero entrar em transe, então. Sei que confissões são sacrifício - sonhos além do muro de vidro -, mas há muitos modos de demonstrar paixão. Você conhece todos os meus senãos; ela percebe todos os meus senãos; já não me sinto vazio. Sou agora um tolo tranquilo, que espera a hora sem decepção.

 

Coluna Tenho Muito Pouco A Dizer