Dos Sonhos

Por: Rafael Nunes
06/06/2009
Coluna nº 2 do site Papo Sério

1) Por que achamos os sonhos tão estranhos e absurdos?
2) Somos tão medíocres quando acordados?
3) Até que ponto o absurdo é impossível?
4) Os sonhos são o asfalto da estrada a ser trilhada?
5) Para ouvir: Vulgo Fred - Você pode me ajudar? (em breve disponível no site www.vulgofred.com.br - aguardem!)

Como é que se sonha? Não é de olhos fechados. É preciso tanta coisa para sonhar direito... É preciso saber. E saber já é difícil. O erro começa em achar que se sonha sozinho. SEMPRE HAVERÁ O OUTRO! Mas não é a hora.

Preocupemo-nos com o eu. EU SONHO. O que? Como? Por que? O porquê, assusta; como, é mistério; o que, não importa.

Penso que os olhos são importantes, desde que olhem tudo. Do contrário, são distração. FECHE ENTÃO OS OLHOS.

Sonhos são cores, mas também são cheiros, e pele, e gostos. Um gosto antigo, infantil, carinhoso, que mostra que o mundo é bom, e que a dor, apesar de amarga, tem seus tons de lilás. Nos sonhos, as coisas cabem nas mãos. Não são desejos e não consomem. Por que não abre os olhos?

A visão, quando destreinada, é o pior dos sentidos: estamos num ponto difuso entre a infância e a morte; não há volta, não há graça.

(...)

Uma cidade vazia de ruas vazias. Uma chance de ouvir os próprios passos e seguir o som. RESPIRE. Não escolha momentos, dias, horas; não há críticas. Pode-se tudo, pode-se muito.

Sirene de ambulância. Luz e sombra projetados no teto do quarto. Alguém vai morrer, respire fundo. O que há de novo? Luz e sombra no teto do quarto. O mundo em todo-cinza. Seus olhos estão cansados, feche-os novamente.

Ontem mesmo havia corpos. Sangue. Olhos. Reconforta sabê-los também nulos. Basta não haver motivo: eis o mistério da fé.

Não tema o que não pode controlar (batidas surdas de um coração em agonia).

 

Coluna Tenho Muito Pouco A Dizer