
Um poema
uma bandeira
Agosto de 1964 (Ferreira Gullar) - Agosto de 2009
Por: Fabio Ferroni
19/08/2009
Num ônibus Estrada de Ferro - Leblon (ou Brooklin - Anhangabaú, ou qualquer outro) volto do trabalho, a noite em meio, fatigado de mentiras.
Que isto era bom.
Que isto era o que eu queria.
Que eu tinha que usar aquele uniforme ridículo.
Eu que sabia demais das coisas.
Que eu seria melhor aceito se trabalhasse ali, assim, de gravata, alto, branco, e caminhasse firme.
Não, firme não. Eu não podia caminhar tão firme. Seria demais.
O ônibus sacoleja.
Que até era bom estar ali, ônibus sacolejando num dos lugares mais bonitos da cidade, a noite iluminada.
Essa mentira era só minha.
Adeus, Rimbaud (...) digo adeus à ilusão.
Rimbaud, eu ficaria com você se pudesse, mas sabe, eu sou sozinho e eu não tenho mais dezessete anos, e tenho medo, medos.
Adeus à ilusão mas não ao mundo, não à vida...
De qualquer maneira... a vida, sei lá... sei que não... não à vida.
Do salário injusto
da punição injusta
da humilhação, da tortura,
do terror
retiramos algo e com ele construímos um artefato.
Um poema uma bandeira.
Retiramos, nós, retiramos nós e retiramo-nos.
Buenas....
Até o próximo...
 
Forte Abraço - Equipe Papo Sério® - Jan/2008





